Mercado Global do Cacau: o que esperar no segundo semestre de 2026?

A ACAU lança seu Relatório de Inteligência Bimestral e aponta os principais movimentos do mercado — e o que o produtor capixaba deve fazer agora.

O preço do cacau está em recuperação. Depois de um 2024 histórico — com o contrato futuro atingindo USD 12.906/tonelada na Bolsa de Nova York, o maior valor já registrado em mais de um século de mercado organizado — e de uma correção brutal no início de 2026, quando os preços chegaram a USD 2.846/ton., o mercado voltou a se firmar.

Em 30 de junho de 2026, a cotação estava em torno de USD 5.050/ton, o equivalente a aproximadamente R$ 26.109/tonelada (câmbio: USD 1,00 = BRL 5,17). Uma alta de quase 19% só no bimestre maio-junho.

Mas o que está por trás desse movimento — e o que ele significa para o produtor capixaba?


El Niño: o fator climático que pode mudar tudo

A Agência Meteorológica do Japão confirmou, em junho de 2026, a formação de um padrão El Niño no Pacífico equatorial. A NOAA (agência climática americana) estima 67% de probabilidade de um Super El Niño — potencialmente um dos mais intensos já registrados.

Para o mercado de cacau, isso é um sinal de alerta: o El Niño tende a trazer calor e seca para a África Ocidental, principal região produtora do mundo. Levantamentos preliminares já mostram formação de frutos jovens abaixo da média nos cacauais monitorados em Gana e Costa do Marfim.

O período crítico será agosto a outubro de 2026. Se as chuvas ficarem abaixo do normal durante o desenvolvimento dos frutos, os preços podem se valorizar acentuadamente.


A EUDR como oportunidade para o Brasil

O Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR) estabelece que, a partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médias empresas só poderão comercializar cacau no mercado europeu com rastreabilidade digital comprovada. Produtos sem esse certificado estarão proibidos.

Gana e Costa do Marfim — responsáveis por mais de 60% da produção mundial — têm apenas 20 a 30% de rastreabilidade. Isso cria um vácuo de oferta “legal” que o cacau brasileiro tem condições únicas de preencher.

O Espírito Santo, com produção em sistemas agroflorestais (SAFs) que preservam a Mata Atlântica e com o CAR amplamente regularizado, está entre as regiões mais bem posicionadas do Brasil para atender a essa exigência — e capturar o prêmio de preço que o mercado europeu está disposto a pagar.


O cenário capixaba: recorde e oportunidade

A produção do Espírito Santo em 2025 atingiu 12.900 toneladas de amêndoas — o melhor resultado da série histórica disponível. Linhares, que concentra mais de 70% dessa produção, reafirmou sua posição como referência nacional em cacau fino, com a Indicação Geográfica “Cacau Linhares” e a 10ª edição do Concurso de Qualidade do Cacau Capixaba celebrada em abril de 2026.


O que o produtor deve fazer agora?

O Relatório de Inteligência da ACAU — Edição Maio-Junho 2026 — traz orientações práticas para o bimestre julho-agosto:

🔸 Vender parcialmente. Os preços estão acima do custo médio de produção. Venda o suficiente para garantir o fluxo de caixa, mas não liquide todo o estoque de uma vez.

🔸 Guardar uma parte. Se a propriedade tem estrutura de armazenagem adequada (umidade abaixo de 8%), vale segurar parte da produção. O El Niño pode valorizar os preços no segundo semestre.

🔸 Ficar de olho no clima africano. Agosto a outubro é o período decisivo. Chuvas abaixo do normal na África Ocidental = preços em alta no mundo inteiro.

🔸 Regularizar o CAR e a rastreabilidade agora. O prazo da EUDR é dezembro de 2026. Quem não estiver com a documentação georreferenciada em ordem pode ficar fora do mercado europeu. Procure a ACAU, o INCAPER, o IDAF ou a MAPA.

🔸 Valorizar a origem. O cacau fino de Linhares não é uma commodity genérica. Tem identidade, tem certificação geográfica e tem mercado. Não venda como se fosse cacau “bulk“.

Se sua propriedade está dentro da poligonal da IG (área demarcada da Indicação Geográfica), e se estiver de posse de um lote de muito boa qualidade (superior ao Tipo I), submeta à análise do Conselho Regulador da ACAU e obtenha o selo da IG “Cacau Linhares“.



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